sábado, 3 de dezembro de 2011

Saudade Dói

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...





segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Desencontros do coração...

Encontra-se perdida em pensamentos pra lá de estranhos... não sabia bem se era intuição ou medo. Não sabia sequer se era real...
Mas eram os pensamentos que aceleravam seus batimentos cardíacos, arrepiava os poros e pelos de todo seu corpo e deixava seus pernas com aquele tremor que ela sabia bem que só sentia em momentos de tensão...
Sentia-se como uma peça mal encaixada em um quebra-cabeça de difícil resolução. Sabia bem o que queria - sempre soubera. Mas agora lutava contra os desejos do seu coração ao mesmo tempo em que tentava realiza-los. Sabia que não podia... não agora, não dessa forma... estava sendo egoísta, mas não queria mais sentir-se como uma coadjuvante sem falas e sem vontades próprias. Ela sabia que merecia mais, muito mais, do que ele pudera lhe dar até aqui. Mas seu amor era tão imenso que ela ainda insistia em tentar conquista-lo, sem perceber que nesse momento, ele só estava lutando pelo seu bem - talvez até, pensando mais nela do que ela mesma.
Era difícil conviver com sua ausência - embora não impossível. Ela queria muito aproveitar seus últimos momentos juntos, com aquela alegria que sempre reinava quando se encontravam, mas em seus últimos encontros estivera mais emotiva do que o normal, deixando as lágrimas caírem e estragarem tudo... talvez por não ter certeza se faria falta pra ele, talvez por medo que uma história tão linda terminasse sem um final feliz...
Mas ela não podia mais voltar atrás: queria ir embora. Precisava disso para sobreviver, precisava explorar novas histórias, buscar novos caminhos, encontrar novos rumos, modificar seu destino e tentar o impossível.
Ela sabia que ainda pensaria nele por um longo tempo e que esse amor estava longe de acabar, mas precisava se distanciar da vida para viver novamente. Mais do que uma fuga, ela acreditava na força dos seus pensamentos: isso mudaria sua vida para sempre. Pela primeira vez, não pensava em abrir mão de nada por amor, porque agora sabia: o amor sobreviverá ao tempo e à distancia, se for real entre os dois.
Finalmente entendera que não precisava desafiar o destino para ser feliz: ele se encarregaria de colocar as coisas no lugar.
Seguiriam caminhos opostos porque, mais do que nunca, esse amor merecia uma chance real de, um dia, faze-los feliz por completo.
E faria...

sábado, 29 de outubro de 2011

Há muito ela vinha dando sinais de cansaço e insatisfação... mas agora ficara insustentável.
Ele não entendia os sinais, não fazia questão de ouvir as palavras, apenas ía e vinha sem se preocupar com sentimentos...
Sentimentos...
Para ela, isso pesava. Para ele, não.
Estava cansada de ser apenas uma parte, queria ser inteira.
Precisava ser reconquistada, cansara de doar-se sem nada receber em troca.
Sentia que precisava ser amada para deixar que o amor falasse mais alto novamente.
Sentia-se vazia... mas não sentia-se livre.
Aprendera a conviver com a saudade, mas não acostumara-se com o vazio de uma relação limitada.
Já não implorava mais por carinho, mas lágrimas caiam, fora de controle...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Eu tenho tanto a dizer
São muitas palavras presas na alma
Tento escrever, mas me sinto acorrentada...
Em momentos assim, só um abraço liberta!
Cadê?


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Esperança

"Olhou-se no espelho sentindo-se bem "acabada" para sua idade, muito mais do que realmente era. Pensou em seu passado e em tudo que gostaria de ter feito diferente... Chorou... Dez anos se passaram! Será que ainda haveria a chance de recuperar o tempo perdido? Estudar, trabalhar... recomeçar era tudo que ela queria... ela sentia que precisava daquilo. Mas como? Não seria meio tarde para viver aquilo que deveria ter vivido no final de sua adolescência?

Não tinha nada que a prendia na cidade: já terminara a faculdade, não fazia nenhum curso, não conseguia trabalhos na sua área e nem queria uma "sobrevida" no comércio... Não tinha filhos, marido, namorado e constantemente sentia-se só... Nunca tivera uma vida social invejável e, apesar de tantos amigos maravilhosos, não fazia parte de nenhum "grupo de amizade". Sustentava-se de sonhos, mas era sustentada pelos pais.

Naquele momento, diante do espelho, sentiu como se já tivesse vivido tudo que tivera pra viver. Sentia uma necessidade angustiada de experimentar novas sensações, mas isso nada tinha a ver com drogas. Ela era muito careta pra essas coisas. Necessitava de realidade, vivera muito tempo presa na ficção dos seus sonhos.

Algo dentro dela clamava por liberdade, sua alma estava presa a algo que não existia, precisava sair, se libertar. Sentia um aperto dentro do peito, sufocada pela vida que levara até aqui e pela imensa vontade de mudar. Mas não sabia como fazer isso...

Tinha medo... um medo infiel e desleal. Um medo que envolvia as pessoas que mais amava nesse mundo. Sentia-se traída por seus próprios sentimentos... chorava cada vez mais, desesperadamente... parou de pensar e afogou-se em lágrimas, sentindo vergonha de olhar-se no espelho. Chorava e soluçava... como um bebê que quer alguma coisa, mas não sabe como dizer.

Era isso! Parou de chorar.

Ela sabia perfeitamente o que queria, sempre soubera. Ligou a torneira e deixou a água cair sobre as mãos juntas em concha. Olhava-se fixamente no espelho. Trazia as mãos ao rosto, deixando a água escorrer por todo o rosto, pescoço e colo, repetidas vezes. Desligou a torneira, respirou fundo e pegou a toalha, trazendo-a ao rosto. Sentindo-se aconchegada, fechou os olhos e permitiu-se sonhar mais uma vez.

Naquele momento percebeu que não precisava abandonar seus sonhos para viver a realidade. Sua necessidade era de vida, e o que é a vida sem sonhos, afinal?!

Tinha muito amor dentro de si, amava muito aos outros: amigos, amores, familiares... mas precisava amar-se mais. "Permita-se!", ela se repetia em silêncio. Percebera então que ao se permitir, as coisas começariam a acontecer. Um passo de cada vez, tudo ao seu tempo...

Pensou nas pessoas que amava. Sentiu vontade de abraçar cada uma dessas pessoas. Sorriu, com brilho nos olhos. Foi dormir sentindo-se aliviada.

Aquela seria uma noite de lindos sonhos, ninguém poderia ter dúvidas."


Belos sonhos...

domingo, 18 de setembro de 2011

Controle de Qualidade

Temporariamente Possuída pelo Monstro: O que eu quero ser quando crescer: Wagner Moura: Estava pensando no que ia escrever para expressar o que sinto, porque tudo ainda está muito difuso na minha cabeça.


Indico esse post do blog da Martha Dias, porque é mais ou menos isso aí que tento dizer diariamente, mas não consigo...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

LUTO

Ozzy, você deixou um buraco em nossos corações.
Tenho certeza que você foi muito feliz em nossa casa, porque você foi muito amado desde o primeiro momento em que te vimos.
Obrigada por todas as alegrias que nos proporcionou.
Obrigada por fazer companhia ao meu pai na hora de ouvir O Clube do Rei, obrigada por ouvir as canções de ninar que minha mãe cantava pra te fazer dormir, obrigada por sempre receber o Lian com alegria, obrigada por ter sido um irmão para o Bud e por ter acolhido o Ubaldo.
Obrigada pelos seus abraços, pelas suas lambidas, pelas suas mordidas e pela sua companhia em nossos churrascos.
Obrigada por ter roubado aquela minha caixa de BIS.
Mas principalmente, obrigada por ter nos ensinado um pouquinho do é AMOR INCONDICIONAL.
A vida ficará vazia sem você!

=(

"Silêncio, ele está dormindo, vejam como é lindo..."

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Prazer e Dor...

"Prazer e Dor... Não são opostos.
São vizinhos separados por uma fração de segundos!
Em menos de um minuto as coisas podem sair do seu controle... Como se tentasse escalar a mais alta montanha, tentando chegar ao topo do mundo.
No jogo da vida,você nunca sabe, luta por anos pela sua glória pessoal, mas tem uma voz na sua cabeça que insiste em perguntar:
"Quem é você?"
"Qual seu melhor?"
E quando a batalha começa você cai!
Perde pra si mesmo. Não é o seu dia... Tentou o seu melhor, mas não era realmente o seu melhor.
Então você pode ir para casa com o coração partido, ou levantar a cabeça, ficar mais esperto, mais maduro, bem preparado como nunca esteve antes.
Haverá um novo dia, uma nova batalha, um novo você!
As suas limitações viraram história e a pressão não te intimida mais.
Você esta pronto pra levar os melhores golpes da vida, e ainda continua de pé?
Eu não posso responder isso, só você pode!
Você quer ser o melhor?
Está disposto a encarar qualquer batalha por isso?
Então você é um desafiante!"